segunda-feira, 15 de junho de 2020

Funk Carioca e Pagode Baiano: a gostosa sensualidade da música brasileira

Eu sou um eterno apaixonado pelos anos 90. Mesmo que eu fosse apenas uma criança na época, eu sempre preferi músicas, filmes e programas dessa década do que as atuais.

Um dos ritmos de maior sucesso nos anos 90 era o pagode.

Ritmo dividido em duas tendências: a primeira, chamada de pagode romântico, que explodiu nas paradas a partir de 93, com grupos como Só pra Contrariar, que não são muito a minha praia. Acho esse pagode muito meloso.

A segunda febre, que tomou conta do país a partir de 1995, foi o pagode baiano, também conhecido como quebradeira ou suingueira.

Os primeiros sucessos do gênero foram Melô do Tchan, do Gera Samba e Na Boquinha da Garrafa,, da Companhia do Pagode. Duas músicas que tocaram o ano inteiro, e não apenas no carnaval.

A partir daí, as gravadoras descobriram a mina de ouro que havia na Bahia, principalmente nas regiões periféricas de Salvador.

De uma hora para outra, no final dos anos 90, surgiram milhões de grupos tocando um samba-de-roda com letras saudavelmente maliciosas, exaltando a mulher e nunca a rebaixando.

Em 1998, o Terra Samba ao Vivo e a Cores foi o disco mais vendido do país, junto com o CD do Padre Marcelo Rossi.

O auge do pagodão foi mesmo até 2000. Porque a partir daí, o funk do Rio tomaria as paradas, trazendo consigo letras parecidas, ou seja, que falavam de "peitinho", de "bundinha", de "perninha". E sofreria a mesma discriminação das elites e da imprensa cultural, que todo mês lamentavam o fim da poesia na música brasileira.

Ou vocês acham que no auge, os pagodeiros também não eram malhados?

Mas, se vocês prestarem atenção, a sensualidade já existe na música popular desde as antigas marchinhas de carnaval. E o samba-duro da Bahia é um ritmo legitimamente nosso.

Isso sem falar nas esbeltas e deliciosas dançarinas que acompanhavam esses grupos. Outra coisa que o funk copiou descaradamente. Elas tinham lindos e generosos bumbuns, enormes mesmo. Os homens, como eu, ficavam babando pelo remexer de glúteos da ultra-mega-maravilhosa Carla Perez, de Sara Verônica, das Sheilas, ou mesmo de "dançarinas que cantavam" como o Axé Blond e o Banana Split.

Os roqueiros morriam de inveja, pois o pagode, assim como o axé de Netinho, Banda Eva e outros, havia tirado os espaços para o rock na grande mídia.

Mas o pagodão foi explorado maciçamente pelas rádios e tvs até que saturou. E aí aí que entra o funk carioca, com sua batida imitando o miami bass da Costa Leste dos EUA, mais precisamente, da Flórida, de grupos como 2 Live Crew.

No início, o funk tinha uma batida copiada do freestyle, funk melody feito por latinos, e era chamada de Volt Mix. Depois, a partir de 2007 mais ou menos, surgiu o "tamborzão", que simulava um batuque de umbanda. Até chegar no funk atual, com uma batida similar à do reggaeton. Mas é claro que o funk é melhor, porque é NOSSO, é brasileiro, e eu tenho muito orgulho desse tipo de som.

O funk assim como o pagode baiano, tem várias dançarinas gatas rebolando seus popozões. E tem até bondes femininos, nos quais a mulher, além de rebolarem sensualmente, ainda solta a voz. Versões femininas de grupos como Bonde do Vinho e Os Ousados, como Gaiola das Popozudas e Jaula das Gostosudas. Cada uma mais perfeita que as outras.

O funk é ainda mais odiado do que o pagode. As pessoas o rejeitam por diversos motivos: racismo (por serem música de negros), rejeição social (por serem música de pobres) e moralismo (por exaltarem o sexo).

Mas música com palavrão existe em todos os gêneros, vão negar? Exceto na "santíssima" música gospel, embora hajam pastores e cantores do estilo que gravam vídeos transando, como já saiu na mídia.

Inclusive muitos funkeiros e pagodeiros, como Xella, ex-Pagodart, e Tati Quebra-Barraco, a precursora do "proibidão" se convertem e viram crentes.

Assim como o sertanejo é herdeiro da tradição romantica da música brasileira, como as valsas e serestas, o funk e o pagode são uma herança da gostosa pornografia que já se va no maxixe e no lundu, por exemplo.

Cabe a nós transportamos o valor de cada época para outra, e aprendermos a respeitar a verdadeira cultura do povo brasileiro.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Rádio Cidade do Rio de Janeiro não é mais a mesma, mas ainda é a melhor rádio de rock do Brasil

Em fevereiro deste ano, tivemos a ótima notícia do retorno da Rádio Cidade 102,9 FM, do Rio de Janeiro.

Na minha opinião, a Cidade foi, durante anos, a maior e mais importante rádio dedicada ao rock'n'roll no Brasil.

Eu não sou carioca. Nunca fui ao Rio. Conheci a rádio através de textos, graças ao advento da Internet. Isso foi em 2009. Naquela época, a emissora já tinha saído do dial e dado lugar à Oi FM, uma rádio de pop eclético contemporâneo, igualmente maravilhosa. Mas nesse período, ela transmitia online como Cidade Web Rock, tendo voltado entre 2014 e 2016, saído novamente do ar e voltando agora em 2019 (espero que desta vez para ficar).

A melhor fase da Cidade foi entre 1995 e 2006. Aliás foram duas fases em uma só. A primeira, entre 1995 e 2000, como emissora independente. A segunda, de 2000 até 2006, como afiliada da 89 FM de São Paulo, a Rádio Rock. Tanto que passou a se chamar de "Cidade a Rádio Rock", assim mesmo, sem vírgulas.

Nessa época, ela tocava o que havia de mais legal no rock, dando ênfase à tendências mais pesadas, porém que faziam bastante sucesso na gringa. O foco estava nas bandas de Post-Grunge, como Creed, Nickelback e Goo Goo Dols. Havia também bastante espaço para o Green Day, uma banda que muita gente rejeitava na época, mas hoje é uma das mais respeitadas na cena.

Tinha também bastante pop-rock, como a maravilhosa Alanis Morisette, Lenny Kravitz e os brasileiros do Cidade Negra e O Rappa.

E se engana quem pensa que o rock brasileiro não era valorizado. Bandas seminais como Detonautas, CPM 22 e a melhor de todas, o Charlie Brown Jr., não saíam nunca da playlist.

Fica aqui uma bronca com o jornalista Alexandre Figueiredo. Ele reclama nos seus sites de que a Cidade só tocava rock comercial, ou então, músicas manjadas de bandas clássicas. Mas a Cidade era uma rádio JOVEM, e assumia esse perfil. E jovem, mesmo naquela época, queria ouvir o rock mais atual. Eu mesmo sou um exemplo disso. Mesmo hoje, com meus 24 anos, eu adoro TODO tipo de rock, e os anos 90/2000 tiveram muita coisa bacana. Por que então, não tocá-las?

Outra reclamação que ele faz é que a Cidade se envergonha do seu passado pop, entre 1977 e 1984. Mentira. Eu já vi locutores mencionando essa fase da rádio. Não vou me alongar muito nesse assunto, pois eu nem era nascido nessa época. Mas segundo Alexandre, a rádio tocava o melhor da MPB contemporânea e da disco music. O rock, nessa época, era trabalhado pela emissora apenas em bandas mais conhecidas, como o genial músico Peter Frampton e as mais manjadas do Kiss e do AC/DC.

Mas não interessa. A melhor época foi mesmo a partir do ano 2000. A grande banda norte-americana Guns'n'Roses tocava na rádio o dia todo.

Além do hard rock farofa oitentista, que vivia um revival na mídia na virada do milênio, o Pop Punk do Blink-182, o Nu Metal de Korn e Limp Bizkit e as bandas brasileiras do chamado "rock engraçadinho" surgidas na esteira dos Raimundos e dos Mamonas Assassinas tocavam na programação praticamente o dia inteiro. Exceto nas madrugadas, que eram dedicadas a programas específicos de classic rock e de progressivo (até mesmo obscuras bandas italianas!)

O programa Cidade do Rock era o grande "paradão" da rádio. Apresentado por aquela gracinha da Monika Venerabile, que depois acabou apresentando programas em rádios populares.

Enfim, o jovem que gosta de rock está muito feliz com a volta da Rádio Cidade, por mais que ela não seja mais a mesma. Mas estado de espírito ainda está todo lá.

O rock jamais irá morrer! E a Cidade contribui para isso, com a mais absoluta certeza.

sábado, 23 de maio de 2020

A importância da balada e da música eletrônica para os movimentos de esquerda

Eu sou apaixonado por música eletrônica. Mais do que por qualquer outro gênero musical já comentado aqui no blog.

Faz tempo que estou querendo dizer o que penso desse movimento cultural que há décadas domina o cenário estrangeiro.

Quando digo música eletrônica, estou incluindo TODAS as vertentes. Todas mesmo. Não há uma que não seja do meu agrado. Inclui até mesmo o agressivo Horrorcore, mistura de Harcore Techno com barulhos tirados de filmes de Horror.

Techno, aliás, é o nome genérico para música eletronica. Como Dance Music era o nome que designava toda música eletronica nos anos 90. Mas aqui, vou desfazer esse equívoco.

A Eurodance dos anos 90, estilo bastante tocado em festinhas infantis e até nos churrascos de domingo com a família, era somente a vertente mais popular da época. Projetos obscuros como Snap, Technotronic e Alexia, eram nomes dados para algum vocalista desconhecido que "emprestava" sua voz para aquele projeto. O mesmo cantor ou cantora podia gravar faixas para diversos projetos.

Nos anos 2000 o gênero viveu altos e baixos. Foi um período dominado pelo hip hop e, no Brasil, pelo pop-rock. Generos que também curto bastante, mas não são o foco desse texto.

Só que na Europa, berço da música eletrônica, ela continuava produzindo hits para as pistas de dança.

Em 2007, o Psy Trance virou uma coqueluche. Na minha escola, a galera só dançava isso. Inventaram até o Psy Frevo aqui.

O Drum'n'Bass, surgido na Inglaterra, gerou o Drum'n'Bossa aqui no Brasil. Várias novelas da Globo tiveram canções do estilo em seus CDs internacionais ou complementares.

Mas a minha vertente favorita da música eletrônica é o Brostep, que por sua vez é derivado mais rápido do Dubstep, que foi inventado pelo DJ e ex-cantor de rock Skrillex. O cara é simplesmente fenomenal!

Para quem não está sacando ainda, tá ligado aqueles vídeos de Youtubers tipo Minecraft? Sempre na introdução do vídeo, toca uma musiquinha meio robótica e repetitiva, né? Isso é o Brostep. Os próprios carinhas que fazem o vídeo costumam montar suas faixas, ou seus "drops", em seus próprios PCs.

Mas o motivo desse texto eu vou dizer agora. Fiz um breve históricos da Eletro Music e algumas de suas vertentes (olha que só falei das mais comerciais!) para dizer o quanto esse tipo de som pode e É usado como instrumento revolucionário.

Por mais que hajam reacionários que curtam música eletronica, ela é um genero musical de esquerda. É como o samba. Tem uns idiotas que usam músicas desses estilos em videos pró-intervenção militar, o que é absurdamente ridículo.

Qual é o clima da balada? Paz e amor, como era Woodstock, só que em outro contexto, o das raves. Mas a liberdade de consumir drogas, de transar ou de ficar nu em público é a mesma. E isso é ótimo.

Eu nunca experimentei drogas. Mas sou a favor de quem quiser usar. Qual é o problema?

Mas aí você pode argumentar que nas baladas ocorrem muitas brigas. Mas essa não é a intenção. Quem sai para curtir a noite, quer celebrar a vida, beijar na boca e até arrumar uma paquera mais intensa. Casais já se conheceram na balada. Isso é errado?

A própria música é alegre, e as letras falam de amor, de dança, de alegria.

A maioria dos fãs e artistas de eletrônica são esquerdistas. Vejam, por exemplo, a cantora Dua Lipa e o músico de Trap Diplo. Eles se posicionaram contra Bolsonaro nas eleições passadas.

Essa é a minha opinião, e dificilmente alguém poderá discordar. A música eletronica é progressista. E deliciosamente genial.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Porto dos Milagres e o revival de 2001, o ano que não terminou

De todas as novelas que estão no ar atualmente, incluindo todas as emissoras, minha preferida é Porto dos Milagres, escrita pelo mestre Aguinaldo Silva. A novela ficou no ar por um bom tempo no ano de 2001, de fevereiro até setembro, e vem sendo exibida desde o início desse ano pelo Canal Viva.

Pra mim, é a melhor novela de Aguinaldo; só não foi a melhor daquele ano pois minha novela preferida era exibida quase que ao mesmo tempo. Me refiro à Um Anjo Caiu do Céu, cartaz às sete horas da noite.

Enquanto isso, às seis da tarde, passava a maravilhosa Estrela Guia, com a dupla teen Sandy e Júnior. Que aliás, está de volta agora com uma turnê comemorativa de 30 anos de carreira. E é motivado por esse clima de revival, que resolvi escrever esse texto.

Em 2001, a música pop estava bombando com as divas internacionais e também com grupos de rapazes. A febre do momento era o Nsync. Tanto que chegaram a ter uma música incluída na novela As Filhas da Mãe.

O Nsync era minha boy band internacional favorita, mas também haviam os Hanson, que eram uma boy band no sentido do apelo pop, mas eram também uma banda, pois cada um tocava seu instrumento. Eu adorava esses caras, que aliás estão na ativa até hoje.

2001 também foi o auge do programa Domingo Legal, apresentado pelo saudoso Gugu Liberato. Para mim, o melhor programa da história da televisão mundial, e o melhor apresentador do mundo. Sabem porque acho isso? Não só pelas belas mulheres sensuais que batiam bonto lá, mas também por receber os maiores astros da música popular brasileira e internacional. Os próprios grupos mencionados no parágrafo anterior chegaram a tocar lá.

Gugu também lançou vários grupos musicais. Meus favoritos eram o Dominó, que chegaram a ter várias formações desde 1984. Minha formação favorita é a de 1997. Mas a formação 2001 nos deu o hit Bomba. Sabe aquele mega-hit dos Braga Boys no ano anterior? Então, eles gravaram a versão original, em espanhol, com um arranjo super-dançante. E haviam as garotas do Banana Split, que sempre cantavam o ritmo do momento. Nessa época, elas cantavam axé, que estava bombando.

O funk carioca explodia em 2001 com seus tapinhas, motinhas e eguinhas. Gugu, como todo mestre, deu espaço. Assim como o pagode erótico da Bahia sofria críticas da intelectualidade alguns anos antes, naquele início de século o pancadão do Rio passou a ser a grande vítima da imprensa.

Os pagodeiros, tanto os baianos quanto os românticos - em sua maioria paulistas - não saíam da Banheira do Gugu e do Jogo do Banquinho, do Programa Raul Gil, naquela época dando mais de 30 pontos na Rede Record.

A música sertaneja vivia uma fase bem pop. Podem reparar que os sertanejos nessa época, como Pedro e Thiago e Marlon e Maicon, usavam um visual inspirado no pop internacional, como jaquetas, óculos escuros ou transparentes e topetes. Era um sertanejo adolescente, assim como Os Travessos cantavam um pagode para adolescentes.

O seriado Malhação vivia uma das suas melhores fases. Três temporadas excelentes seguidas (1999, 2000 e 2001). E com várias bandas de rock à tiracolo: Charlie Brown Jr., Detonautas Roque Clube e Tihuana, só para citar as três mais famosas.

Bandas que, aliás, não saíam do programa Superpositivo, apresentado pela gatíssima Sabrina Parlatore na Bandeirantes. O que tinha de mulher bonita nesse programa não era brincadeira.

A Sessão da Tarde vivia seu melhor momento. A molecada que estudava de manhã, como eu, chegava do colégio, almoçava e às 16:00 horas lanchava biscoito com Nescau assistindo pérolas como Um Príncipe em Nova York, Lassie, Ed - Um Macaco Muio Louco etc.

Para a gurizada que estudava de tarde, poderiam se divertir com duas opções: Eliana e Alegria, na Record, cujo recorde de audiencia se dava com o desenho japones Pokemon, ou então com a deusa Angélica na Globo, que passava no mesmo horário um outro desenho importado do Japão, Digimon.

Nesse ano também, surgiu o primeiro reality show originalmente tupiniquim. Casa dos Artistas, que contou com a participação de gatas como Nana Gouvêa e Mari Alexandre, do ator Alexandre Frota e de Supla.

O roqueiro estava sumido desde o início dos anos 90, morando na América, e voltou ao Brasil em 2001. Lançou disco novo - estrondoso sucesso de vendas -, participou de novela global e virou estrelinha fácil no programa Piores Clipes do Mundo, de Marcos Mion.

Enfim, 2001 foi o melhor ano da história. E a maravilhosa Porto dos Milagres, que tem em sua trilha sonora músicas iconicas como Crendice, do grande músico Carlinhos Brown, que seria vaiado injustamente no Rock in Rio no final daquele ano, e Entre o Céu e o Mar, da divina cantora Elba Ramalho, foi a cereja do bolo.

Parabéns ao Canal Viva por reprisar essa obra-prima. Uma forma dos saudosistas se lembrarem, com carinho, daqueles bons momentos.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Novela ignora o auge da música sertaneja no Brasil

A novela Verão 90 é excelente. Ponto. Eu estou gostando dela desde o início, e tem tudo para ficar melhor.

Mas até agora, eu tenho notado um detalhe: a novela não mencionou, em nenhum momento, o sucesso da Música Sertaneja.

Tudo bem que ela se inicia nos anos 80, quando o pop bacana de Michael Sullivan e Paulo Massadas e o Rock Brasileiro estavam em alta. O grupo A Patotinha Mágica, que protagoniza a novela, é uma referência ao Balão Mágico e ao Trem da Alegria, mostrando um período em que a música infantil também era forte - e de muito boa qualidade.

Mas a segunda fase da novela, que já começou, se passa no verão de 1990.

E o que estava no auge nesse ano? Sim, meus caros. O Sertanejo, que na época era representado digníssimamente por duplas como Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo.

Haviam muitas outras duplas, algumas se lançando na época, como Maurício e Mauri, outras que já vinham de tempos remotos, mas se atualizaram para o estilo romântico, como João Mineiro e Marciano.

Haviam também cantores mais pop, como Conrado, Maurício Mattar, Marcelo Augusto e Fábio Jr., que entraram de corpo e alma na onda sertaneja. Vejam músicas como Rio e Canoa, do Fábio, ou Deus te Proteja de Mim, do Wando, e me digam se não tem um quê de Brasil rural que estava se ascendendo.

Havia também a Lambada, ritmo que já teve seus momentos no final dos anos 80, mas no começo de 90 ainda tinha espaço junto com o axé. Ainda bem que Verão 90 tem lambada na trilha sonora, hits de Beto Barbosa e Kaoma.

É verdade que a Rede Globo foi a última a aderir ao movimento (sim, movimento; o tempo provaria que era mais do que um modismo). A MTV não aderiu. E na novela há uma tal de Pop TV, que é uma homenagem à extinta emissora paulista. Talvez seja por isso.

Mas a Globo deu ao sertanejo um verniz de sofisticado. Colocou Chrystian e Ralf e outros para cantar no Especial do Rei Roberto Carlos. Aliás, de lá pra cá, o que seria o repertório de Roberto se não canções sertanejas? No seu LP de 1991, ele aparece com um chapéu de cowboy, e ainda aponta para o chapéu, para deixar claro que ele era fã declarado do gênero.

E praticamente todas as novelas do período 1990-1992 tem uma ou mais músicas sertanejas em suas trilhas sonoras. Exemplos? Deus nos Acuda, Perigosas Peruas, Pedra Sobre Pedra. Esta última, trazia cantores de MPB cantando sertanejo, como Fafá de Belém e Sá e Guarabyra. Além da musa Roberta Miranda, em dueto com Fagner, mostrando que nesse tempo o sertanejo feminino já tinha seu espaço mais que conquistado.

O sucesso foi tanto que o SBT criou o programa Sabadão Sertanejo, em 91, apresentado por Gugu Liberato. A Promoart, empresa de Gugu, até lançou uma dupla sertaneja, os meninos Jean e Marcos, que chegaram a emplacar algumas músicas.

Os críticos musicais lamentavam a explosão do sertanejo, tanto que haviam matérias em jornais e revistas dizendo que o Brasil vivia o pior momento da sua história política e cultural. Mas eu discordo disso.

A música sertaneja estava vindo para ficar, tanto que ela está aí até hoje e virou até universitária.

Vamos ver se Verão 90 irá falar do sertanejo antes de seu término. Caso contrário, ela irá terminar e o sertanejo irá continuar na boca do povo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A importância de haver uma tv pública e o golpismo dos que querem extingui-la

O atual governo ameaçou acabar com a TV Brasil, emissora de caráter educativo criada pelo ex-presidente Lula em 2007.

Felizmente, isso não aconteceu. Ao menos, por enquanto.

Mas sua equipe já mandou anunciar que a emissora terá uma programação diferente, voltada "para o povo brasileiro". Em que mudanças isso implica, eu não sei, já que uma tv controlada pelo Governo Federal tem o dever de ser voltada para o povo brasileiro.

A TV Brasil é uma tv pública de grande qualidade. Conta com uma ótima programação infantil, a maioria dos desenhos são nacionais e feitos com verbas públicas. O que, ao contrário do que muita gente pensa, não é nada fácil.

A programação adulta é maravilhosa. Filmes brasileiros, documentários sobre História, noticiários que informam de fato e não são golpistas como os programas jornalísticos das grandes emissoras privadas, que além de não terem compromisso com cultura e educação, também não têm com a verdade.

Há o ótimo programa Sem Censura, um programa de entrevistas que sempre recebe convidados que têm algo a dizer.

E há programas musicais, aos montes. Samba na Gamboa, com Diogo Nogueira, Brasil Caipira, que só abre espaço para a verdadeira música caipira, ou sertaneja, como queiram. Se bem que música sertaneja, na verdade, é a música do Nordeste. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Zé Ramalho. Mas não importa. Tanto a caipira quanto a sertaneja têm vez na TV Brasil.

Há também programas de esporte, sobretudo futebol, mas ele é tratado apenas como um mero esporte e não como a salvação do país. Esportes violentos, como o MMA, estão banidos, porque além de não serem artísticos, ainda são degradantes.

Mas estou fazendo este texto para condenar pessoas como Daniel Fraga e Kim Kataguiri, defensores de uma ideologia ultra-liberal onde o Estado deve ser o mínimo possível. O ideal, para eles, é que nem houvesse Estado.

Fraga, que embora tenha opiniões inteligentes contra religião (ele é ateu como eu), é um verdadeiro imbecil quando o assunto é política, economia, sociedade e cultura.

Há um video em seu canal, de alguns anos atrás, onde ele prega o fim da TV Cultura de São Paulo e da TV Brasil, duas emissoras que pertencem ao povo brasileiro.

Confundindo público com estatal, coisa que ele também deve ser contra, ele chama a programação dessas emissoras de "lixo" e de "muito ruim".

Como ele pode chamar de ruim programas como Vila Sésamo, feito inclusive em parceria com a TV Globo, ou Castelo Rá-Tim-Bum e Mundo da Lua?

Esse cara é um idiota.

Deve ser porque numa tv pública, é proibido emitir qualquer juízo de valor ou defender opiniões elitistas. É isso que esses caras abominam.

Eu só espero que o atual governo não acabe com o caráter educacional da TV Brasil, como o governo paulista tem feito com a Cultura desde a tenebrosa gestão de João Sayad.

A direita não é muita chegada em um povo culto. Por isso, talvez, eles até a privatizem, para que se torne apenas mais um canal interessado na audiência e no lucro.

Cabe a nós, povo brasileiro, lutarmos contra isso.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O pesadelo do governo Bolsonaro

Estamos vivendo uma época terrível da vida brasileira.

O pesadelo que nós já imaginávamos desde 2011, quando ele começou a ganhar apoio nas redes sociais, se concretizou no último mês de outubro.

Acho que já sabem a que me refiro: Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, e assumiu no dia primeiro de janeiro deste ano.

Um homem que se orgulha de odiar pobre, negro, trabalhador, mulher e principalmente homossexual, irá cumprir mandato pelos próximos quatro anos, a menos que alguém faça alguma coisa.

Eu posso deitar na cama nesse período e dormir, se não feliz, ao menos tranquilo de não ter votado nele.

Votei em Alckmin no primeiro turno e em Haddad no segundo. Mas até mesmo Cabo Daciolo representaria menos perigo à democracia do que o "general", como é conhecido pelos simpatizantes. Aliás, ele tem simpatizantes? Para mim, são apenas fanáticos que aplaudem qualquer atitude que ele tomar.

Reparem numa coisa: por mais que se decepcionem com um governo, as elites só vão Às ruas pedir seu impedimento caso ele seja progressista.

Foi assim na Era Vargas. Quantas vezes não o chamaram de demagogo e populista, por ele ter criado férias, décimo-terceiro, salário-mínimo, aposentadoria etc. Foi assim na Era JK, quando o chamaram de populista por criar nova capital, e construir estradas. Foi assim com Jango, por ele ter prometido uma ampla reforma agrária no país. Foi assim com FHC, por ter criado um plano econômico que nos salvou de uma inflação histórica. E foi assim com Lula e Dilma, que entre outras coisas, enfrentaram crises mundiais de modo que o Brasil passasse praticamente ileso, mantiveram uma inflação controlada e, sem o menor medo de errar, foram os MAIORES criadores de emprego e renda que o Brasil já teve.

Agora, vejam os governos reacionários, que sempre votam contra o povo. Quem protesta contra eles é sempre uma elite intelectual, e jamais uma elite financeira. Vocês já viram algum empresário em alguma passeata contra a ditadura militar, sobretudo no seu período mais negro, que foi a Era Médici? Algum burguês foi a favor da deposição do Collor, em 92? Ou algum político de direita mesmo, dar um pio sobre as corrupções do Temer, em todo seu tempo de governo?

As eleições de 2018 entrarão para a história como a mais direitista desde 1989. Nas eleições de 94, 98 e principalmente 2002, havia um predomínio dos candidatos de esquerda.

Eu apoiei Fernando Haddad por ele ser um cara culto, ligado às massas, por dar continuidade ao projeto do Partido dos Trabalhadores e o principal: não é preconceituoso. Acredito que isso ajuda na credibilidade, não é mesmo?

Além do mais, a vice dele, Manuela Dávila, é uma mulher lindíssima, defensora dos gays e da liberdade de crença. E ligada a ao PCdoB, um grande partido.

Infelizmente, o país preferiu investir na burrice, no atraso. E hoje, estamos pagando por isso, com um presidente cortando gastos do Estado, extinguindo o Ministério do Trabalho e até liberando o porte de armas para o cidadão comum.

Provavelmente, mesmo assim, seus eleitores dificilmente darão o braço a torcer e admitirão que votaram errado. SE alguém for às ruas protetar, serão os estudantes, os operários e os camponeses. Os primeiros, pela sua admirável intelectualidade. Os demais, por serem também povo e pela sua inteligência intuitiva.