quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A falta de consideração do Canal Brasil

Comecei a assistir o Canal Brasil no final de 2011, começo de 2012, quando coloquei TV a cabo.

Nunca me interessei pela programação das tardes e noites, e de manhã eu estou dormindo. O que mexia comigo era o que rolava nas madrugadas.

Lógico, de vez em quando no horário vespertino passavam as divertidíssimas chanchadas da Atlântida e da Vera Cruz, com Mazaroppi, Oscarito e outros ícones. Agora até isso está raro de serem exibidos. Só querem colocar no ar filmecos de guerrilha de quinta categoria, com apologia ao marxismo cultural.

Por isso, eu me ocupava com outra coisa durante o dia, e guardava minhas energias para madrugar (risos).

Quem acompanha a emissora sabe do que estou falando: a sessão Como Era Gostoso o Nosso Cinema, que ia ao ar de segunda a quinta-feira com o melhor da pornochanchada.

Como foi nessa época que ganhei meu próprio quarto e minha própria TV - sim, antes disso eu dormia junto com meus pais e irmão - eu fazia a festa.

Eu me divertia à beça (pensem no que quiserem) assistindo pérolas dos anos 70 e 80, com deusas do quilate de Helena Ramos, Sônia Garcia, e a minha favorita Matilde Mastrangi, de quem devo ter visto quase todos os seus filmes.

Só que eu fiquei um tempo sem acompanhar e essa semana descobri que o canal reduziu a sessão apenas às terças e quartas.

Não sei quando isso foi feito, mas isso sim é uma verdadeira sacanagem com o telespectador.

Pelo que me recordo, já era comum repetir o mesmo filme duas ou até mais vezes na semana, o que não era totalmente ruim. O que é bom tem que ser reprisado mesmo.

Agora, limitar os dias do programa é falta de respeito.

Uma outra coisa que eu queria comentar é o tamanho dos cortes realizados pela emissora nos filmes.

Uma coisa é diminuir o tempo do filme por falta de espaço na grade. Vá lá, é compreensível. Agora, fazer cortes motivados por moralismo é inadmissível. Tem filme que eles retiram todas as cenas explícitas, e não somente de sexo, mas até a própria nudez das atrizes.

Vou citar um exemplo: o excelente Promiscuidade - Os Pivetes de Kátia. Cansei de vê-lo no Canal Brasil. Mas todo picotado.

Eu leio na Internet que a emissora o exibe assim, por ser a versão que eles adquiriram. Pois o filme original tinha cenas de pedofilia e foi censurado pelos militares. Tá ok, mas e as cenas de sexo com adultos? E as cenas onde a maravilhosa Mara Carmem mostra os seios e se pega com outra mulher?

A versão exibda pelo Canal Brasil não tem NENHUMA CENA SEQUER, nem de sexo nem de nudez.

Portanto, eu vejo esse filme como um excelente suspense ou drama, que no final tem momentos de terror. É tudo, menos erótico. Mas continua sendo maravilhoso.

Minha crítica não é aos filmes, que fique claro, e sim a equipe de programadores do canal.

Então queria deixar isso aqui registrado, e se alguém que ler tiver contato com algum dos programadores, favor chegar até as mãos deles.

Primeiro, comecem a liberar mais ousadia nos filmes. Depois, não repitam os mesmos filmes tantas vezes. Sei que o acervo do Canal Brasil é maior que isso, e tem muito conteúdo. E por fim, voltem a exibir a sessão as segundas e quintas.

domingo, 7 de agosto de 2016

A demonização, o preconceito e a discriminação do estilo sertanejo

Vou seguir na linha de artigos falando sobre música, já que os últimos foram sobre esse assunto.

Hoje iremos falar um pouco sobre preconceito e discriminação.

Ao contrário do que muita gente pensa, preconceito não significa falar mal de algo e sim falar sem conhecer. Por exemplo, se eu estiver de olhos vendados e disser que uma mulher que nunca vi é linda, eu estarei sendo preconceituoso, mesmo tecendo um elogio a ela.

Ou seja: tem muita gente que fala mal de determinado gênero musical ou de determinada música de algum artista, só por que é aquele gênero musical ou aquele artista.

Sem querer puxar a brasa para o que eu gosto e me vitimizar, mas a música sertaneja é o estilo que mais sofre esse tipo de preconceito. Vamos lá, avaliem.

O Heavy Metal é considerado uma música superior pelos roqueiros fanáticos. A música clássica e o jazz, pelos pseudo-intelectuais.

O funk carioca é considerado de qualidade inferior, mas nesse caso, não vejo como preconceito. 90% de sua produção é um lixo completo, e eu posso confirmar por que conheço.

O genero que mais sofre preconceito SEM MERECER, é a Música Sertaneja.

Então vamos nesse texto, tentar responder às criticas mais comuns.

O primeiro ponto: dizem que as letras não têm poesia. Caraca, se "ela tem um brilho forte, brilha feito estrela, ah eu adoro vê-la fazendo aquele amor", não é um verso poético, então não sei o que é poesia para voces.

Ou então "um beijo de paz, um raio de luz, na festa do amor voce me seduz". E muitas outras.

Dizem que os cantores não têm voz e gritam muito.

Mas meus queridos, gritar é para quem pode. Cantar baixo é coisa de quem não tem recursos vocais.

Os artistas gospel e a maioria das popices norte-americanas fazem o maior berreiro e ninguém fala nada.

Eduardo Costa, gritando, passa emoção, passa sentimento com a sua voz. Coisa que o chato e ultrapassado "rei da bossa nova", João Gilberto, não consegue fazer sussurrando.

Existem bons cantores que cantam com a voz mais contida? Sim, claro. Entre eles José Augusto, Gilliard, Fabio Jr., e dentro do sertanejo, Gian e Giovani, Rick, Léo Chaves, a deliciosa Paula Fernandes entre outros.

Mas dizendo de UM MODO GERAL, na grande maioria dos casos quem canta baixo não tem técnica.

Por isso não cola esse papo dos detratores que que cantor sertanejo tem voz de cabrito, por que o que eles definem como "voz de cabrito" eu chamo de INTERPRETAÇÃO.

Eu gosto um pouco de rock. Mas odeio os roqueiros. Essa turma é a mais radical quando o assunto é desrespeitar o gosto alheio. Eles deveriam viver dentro de uma bolha, assim poderiam ouvir só o que quisessem. E também não obrigariam todo mundo a compartilhar de suas opiniões.

Eu admiro muito Lobão quando ele fala de política. Mete o pau no PT, no comunismo e no politicamente correto. Mas quando fala de música, só saem fezes de sua boca.

Como se não bastasse ser um péssimo vocalista, é um invejoso do sucesso que o novo sertanejo vem fazendo.

Mas já elogiou Mr. Catra.

Assim como Guilherme Arantes criticou o sertanejo, o pagode e o axé recentemente, mas chamou os funkeiros de revolucionários. E um cara desses é tido como gênio pela imprensa especializada.

Não vou me alongar muito nesse texto de hoje. Só queria lembrar vocês que nossos antepassados lutaram muito por uma democracia, inclusive muitos ídolos do Rock e da MPB, que eu admiro bastante.

Mas hoje, parece que os modernos se converteram nos caretas.

Mas enquanto a viola repicar e houver alguém que solte a voz, a música sertaneja irá se manter viva. E inclusive enquanto uma guitarra chorar e uma dupla soltar seus agudos, as inovações serão sempre bem-vindas.

O tempo não para. Para desespero dos haters, o sertanejo de ontem, de hoje e de amanhã estará sempre no coração do Brasil.

terça-feira, 26 de abril de 2016

A mudança na música sertaneja é uma coisa negativa?

Outro dia, numa postagem sobre música, eu fiz uma crítica ao sertanejo, que eu chamei de breganejo e citei uma dupla, que na minha opinião é a pior de todas.

Quem não me conhece pode achar que não gosto do gênero. Isso não é verdade. Eu sou um dos caras mais versáteis quando o assunto é música. Consigo ouvir de tudo mesmo. Meu preconceito não está em nenhum estilo musical, mas em alguns artistas que não sabem representá-lo bem. Falarei disso já já.

Vejo muitas críticas a esse movimento denominado de "sertanejo universitário". Ela parte não somente dos detratores, como roqueiros e emepebistas, mas também dos próprios apreciadores da música sertaneja mais antiga.

Coisa parecida acontece com quem gosta de samba tido como "de raiz", que discrimina o pagode romântico e até mesmo o pagode feito no Cacique de Ramos, por nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e Fundo de Quintal.

Em relação ao sertanejo, existe um grupinho que só aprecia moda de viola e não tolera inovações de qualquer espécie. Mas também existe um pessoal, mais hipócrita, que curte o sertanejo dos anos 80 e 90, que era famoso na época por inovar e era muito mais criticado do que o atual.

Vamos pensar um pouco: se a gente for analisar, a música sertaneja de hoje é muito mais sertaneja do que a da década de 90. O que marcou aquela geração? Guitarras dobradas, bateria, teclado e sintetizadores. Vozes em terça que descaracterizaram completamente a tradição caipira. Letras melosas e até vulgares, falando sobre traição e casos de motel.

Hoje, o sertanejo está muito mais diversificado. Tem o universitário propriamente dito, feito por nomes como Maria Cecilia e Rodolfo, João Neto e Frederico entre outros, que traz uma sonoridade mais acústica, e não deixa de falar de amor. Eles até regravam muitas músicas da geração 90. Tem o funknejo, que fez uma mistura que ninguém jamais imaginou, do sertanejo com o pancadão carioca, muito bem representado por João Lucas e Marcelo. Tem o arrocha, que pode ser dançante ou romântico, de Gabriel Gava e Israel Novais.

Tem também um cara, que consegue misturar o sertanejo com tudo que é pegada moderna, sobretudo o axé e o pagode. Thiago Brava até gravou com a dupla Pikeno e Menor. O diferencial do cantor são suas letras, que sempre fazem alguma referência pra poder mandar sua mensagem. Como em Amanda Manda Nudes, onde ele cita uma coisa que está muito em voga, que é mandar fotos pelo Whatsapp ou na música Namora Bobo, onde menciona o Vale a Pena ver de Novo e o arrocheiro baiano Pablo.

Aliás, é aí que quero chegar. Como em todo movimento - ou modismo, como queiram - existem as coisas boas, mas também muito lixo é produzido. Até agora só falei de coisas que acho legais, mas é lógico que tem o lado ruim. Os imitadores do Zezé di Camargo (Pablo, Eduardo Costa, Léo Magalhães etc), o ídolo teen Luan Santana, que canta como se estivesse tendo um infarto, entre outras porcarias que a indústria despeja nos nossos ouvidos.

Mas o que quero dizer é que não se pode generalizar e jogar tudo na mesma sacola. O sertanejo romântico, dos anos 90, tinha muita coisa pavorosa, talvez até mais do que o moderno.

Por isso, os críticos que aprendam a se adaptar às mudanças. O novo sertanejo está aí e conquistou seu espaço. Caso contrário, não estaria durando tanto tempo na mídia. Por mais que o mercado insista, só se mantém vivo aquilo que o povo deseja

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O que esperar do impeachment?

No último domingo, foi dado o primeiro passo para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eu estou com boas esperanças, mas não comemoro totalmente.

O ideal pra mim seria convocar novas eleições no Brasil, com o maior número de candidatos possível.

Acontece que muita gente não sabe votar e se deixa vender muito fácil. Todos reclamam que falta opção, mas por que então, as piores opções possíveis são as que se elegem?

De certa forma, eu acho que o impeachment da "presidenta", como ela gosta de ser chamada, será positivo.

Essa data ficará marcada como o fim de uma era na História do Brasil. O fim da corrupção assumida, da cara-de-pau e da falta de vergonha na cara. O fim de um populismo neo-getulista, que compra a simpatia da população oferecendo-lhe migalhas. O fim de um separatismo forçado entre grupos sociais e do ódio de classes estimulado pelo próprio Estado.

Nesses 13 anos de PT, eu acompanhei uma boa parte. No início, eu era muito pequeno e não entendia de política. Mas a partir do segundo mandato de Lula, eu já escrevia textos criticando tudo que havia de errado nesse governo espúrio.

Na época, eu era chamado de reacionário, juntamente com jornalistas do porte de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Diogo Mainardi. Nos chamavam de loucos, atrasados, insatisfeitos com a mudança e o progresso. éramos taxados de elitistas e intolerantes. Todos comemoravam a Era Lula, e o nomeavam como o "melhor presidente que o Brasil já teve".

Hoje, o povo queimou a lingua e está pegando seus pecados. Depois dos protestos de 2013, a frase era: "O Gigante Acordou". E as manifestações então, não paravam mais. Agora, em 2016, a pressão foi tão forte, que o Congresso se viu obrigado a atender a vontade da maioria. Finalmente!

E assim renasceu a nossa esperança, o desejo de um país melhor e verdadeiramente mais justo.

É lógico que Michel Temer não vai ser grande coisa. Eu nem me iludo com isso. Mas quem sabe, se ele for diferente do PT, o povo não aprende a escolher melhor seus representantes?

A popularidade de Lula, que no final de seu segundo mandato se gabava de ter 87% de aprovação, está em queda livre. Conheço pouquíssimas pessoas que ainda o defendem e que não querem vê-lo na cadeia.

O impeachment será o início de uma nova era política no Brasil, para o bem e para o mal.

Uma coisa é certa: com a saída do PT, nós nunca mais seremos os mesmos.

sábado, 9 de abril de 2016

Eu sou o maior Forever Alone do mundo

Eu estava fazendo curso de teatro.

Na apresentação, o nosso professor pediu a cada aluno que dissesse o que pensa a respeito do teatro e por que estava interessado em aprender o mesmo.

Acredito que fui o mais sincero da turma: disse que queria ser famoso, aparecer na televisão, ganhar dinheiro e pegar mulher. Mas também disse que queria contribuir para a cultura nacional, o que é verdade.

Eu fiz parte dessa equipe por um pouco mais de um mês. Estava fazendo aula de voz, aprendi sobre como tirar o DRT e me divertia muito com os textos que tinha que ler.

Mas logo notei que os outros alunos me ignoravam. Ninguém ali queria fazer cena comigo. Alguns tiravam sarro na minha frente, na cara dura. Nunca chegaram a dizer que não tenho talento, mas com certeza devem pensar isso. O que é um direito, por que pra mim eles também são atores medíocres.

Nas últimas três aulas, eu já havia me tocado. Ia lá, mas ficava quieto no meu canto. Nem falava oi pra ninguém, por que antes, quando eu falava, não respondiam.

Um outro lance que eu reparei, é que eles sempre se beijavam e se abraçavam, ao chegar e ao ir embora, mas nunca faziam isso comigo. Não venham com a desculpa de separatismo de gênero, por que não havia distinção. Os meninos abraçavam as meninas e vice-versa. O problema era só eu mesmo.

Na última aula, eu participei até o final. Ou quase. Na ÚLTIMA cena, onde o professor pediu a nós que fizéssemos dois grupos, onde cada um deveria criar sua própria cena, eu me revoltei. Pra começar, eu nem fui escolhido pra nenhum dos dois grupos. Aí, o professor teve que montar os grupos ele mesmo.

Na hora de elaborar a cena, eu continuava sendo excluído.

Foi aí que joguei tudo para o alto e resolvi ir embora. O professor tentou me convencer a ficar, disse que sou um garoto inteligente e um dos melhores da turma. Fui embora de vez e ninguém se importou. Bom, o professor disse que iria conversar com eles, mas duvido que resolva.

Agora é tarde. Eu não estou mais fazendo curso de teatro

Tudo isso me faz lembrar dos meus tempos de colégio, e até mesmo de sites de relacionamento que entrei na Internet.

Em TODOS eles, eu era sempre mal-visto.

Sei lá, acho que tem gente que nasce pra ser odiado mesmo. Ou simplesmente rejeitado.

Esse foi um dos motivos pelos quais resolvi criar esse blog. Que já é uma continuação de outros blogs que tive no passado. Pouca coisa mudou nesse meio tempo. As vezes me pergunto se vale a pena mudar. Mas aí, eis o dilema: viver infeliz para deixar os outros felizes? Fingir que gosto de algo para evitar brigas, mas saber que não me agrada?

Agora, com 20 anos de idade, morando com os pais, sem amigos e sem namorada, eu já posso morrer levando uma certeza da vida. Ficou finalmente comprovado, que eu sou o maior Forever Alone do mundo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A hipocrisia dos religiosos quando o assunto é música

O cristianismo é a doutrina da alienação e da cegueira. Por isso, quem canta músicas que fazem as pessoas pensarem é logo taxado negativa e pejorativamente.

O rock n roll é a maior vítima desses ataques.

Muitos artistas do gênero são condenados pelos cristãos devido ao consumo de drogas, tatuagens, piercings , roupas pretas ou por falarem palavrões.

Mas quando surgem na Internet fotos de pastores xingando os fiéis em mensagens de Whatsapp, ou quando aparece algum escândalo como o da cantora Niquésia Santos, que teve um video vazado onde aparece transando com um pastor, aí, nós temos que aceitar por que "só Deus poderá julgá-los".

Todo o ódio, todo o rancor, eles guardam para o Rock e para outros estilos contestadores, como a MPB.

Mas eu posso provar, através desse texto, que muitas vezes esses estilos trazem uma mensagem muito mais positiva do que as horrorosas músicas gospel.

Resumindo uma canção religiosa: "Deus é meu senhor", "Jesus está voltando", "ele me ama", "quero te adorar" e só. Talvez, uma ou outra variação, sempre dentro dessa temática narcisista.

Agora, falemos de Música com M Maiúsculo.

O saudoso cantor Renato Russo, da não menos saudosa Legião Urbana, tem várias canções de otimismo e esperança. E mesmo assim, é odiado pelo sua "opção" sexual, por ter sido drogado e por criticar o dízimo. Coitados, mal sabem que Renato nunca foi ateu, era católico inclusive e até falava muito de Deus. Eu, particularmente, não acredito em Deus, mas não vou ficar com raiva de Renato por isso. Intolerância religiosa é coisa de religioso.

Um exemplo é a belíssima canção Mais Uma Vez, que Renato escreveu em parceria com o ótimo compositor mineiro Flávio Venturini. Os versos "Mas é claro que o sol vai voltar amanhã" e "espera que o sol já vem" denotam que devemos viver um dia após o outro, e apesar da escuridão a luz estará ali, no dia seguinte. Junto com o novo dia, nasce uma nova vontade de viver e de lutar.

Uma outra música também de Renato é Perfeição. Uma série de críticas a tudo que é errado no mundo e sobretudo no Brasil. No final, depois desse desfile de verdades, vem o refrão perfeito: "Venha, meu coração está com pressa, quando a esperança está dispersa, só a verdade que liberta, chega de maldade e ilusão. Venha, o amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera, nosso futuro recomeça, venha, que o que vem é perfeição"

Se formos analisar, essa música pode até ser interpretada como uma boa canção religiosa. Renato pode estar dizendo que Deus está voltando, por que não? A diferença está na abordagem. Ele trata do assunto com profundidade e não de maneira rasa nem banal.

O punk rock é uma outra vítima desse ódio gratuito.

A banda Ratos de Porão é extremamente mal-falada pelos crentes.

A postura anárquica e niilista de João Gordo sempre sofreu ataques. E não é só de religiosos. A maioria dos brasileiros nunca compreendeu a intenção da banda.

Argumentam que Gordo só grita, que sua música é só barulho. Mas eu não vejo ninguém criticar a horrenda dupla Zezé di Camargo e Luciano. Ninguém critica os berros desses breganejos chifrudos que andam por aí.

A MPB de qualidade também é hostilizada. Tentam desmoralizar a todo custo Chico Buarque e Caetano Veloso pelo seu ateísmo. Ora, eles têm culpa de serem inteligentes?

O genial Chico, apesar de ateu, agradece a Deus pelo fim da terrível ditadura militar em Vai Passar. "Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar, a evolução da liberdade, até o dia clarear". Grande Chico! Seu defeito é apoiar esse desgoverno corrupto do PT, mas quem pede a volta dos milicos não tem moral para criticá-lo.

Enfim, onde quero chegar?

O homem inventou Deus e o Diabo para viver sempre com medo. Viver sempre se limitando, seus desejos, anseios, suas idéias.

E continuar mantendo essa linhagem em pleno século 21, é um atraso de vida.

domingo, 20 de março de 2016

Classificação Indicativa poderia funcionar se fosse bem aplicada

Como um adepto do libertarianismo, todo mundo já sabe que sou contra a classificação indicativa. Bom, deixem-me explicar melhor. Sou contra a imposição de horarios, e não contra o aviso parental em si.

Entretanto, eu acho que deve haver, sim, uma proteção à criança e ao adolescente. Só não concordo que ela venha do Estado. As próprias emissoras deveriam ter o bom-senso e se auto-regular, evitando de passar conteúdo impróprio em horários acessíveis a todos.

Eu queria fazer algumas críticas ao funcionamento do atual sistema vigente. São elas:

1) O programa Big Brother Brasil recebe classificação 12 anos. Antigamente era 14. Infelizmente, a emissora Rede Globo, da qual eu sou muito fã e acho que é a melhor do mundo, conseguiu na Justiça o direito de baixar a classificação desse programa asqueroso. Para uma emissora que tem no seu currículo excelentes programas educativos, alguns em parceria com a Fundação Roberto Marinho, e até mesmo programas interessantes de entretenimento, como Altas Horas, Programa do Jô, Domingão do Faustão, o BBB é uma mancha incuravel. Não sou moralista, gosto de uma boa sacanagem, mas quem discute sexualidade de maneira bacana é o Amor e Sexo, com a gata da Fernanda Lima. BBB é baixaria pura, simples e vazia. Apologia da prostituição, das brigas e da música de má qualidade nas festas (festas ou orgias?). Esse LIXO TELEVISIVO deveria ser classificado como inadequado para menores de 18 anos. O ideal mesmo seria que essa imundície fosse banida para sempre do mundo, mas isso seria ruim para a audiência. Audiência que tira toda a credibilidade da emissora do Projac.

2) Segundo a Constituição, o ECA e a portaria que determina a regulação da mídia, programas ao vivo, programas de auditório e jornalísticos estão isentos de classificação. Mais tarde, uma nova portaria foi aprovada, criando a classificação para os dois primeiros. Mas os telejornais continuam livres para passar em qualquer horário. Isso é péssimo, por que é justamente no horario da tarde que é exibido o chamado "mundo-cão". Os Datenas e Rezendes da vida, que exploram a desgraça em nome da informação. Esses, podem passar a qualquer hora do dia, principalmente quando a garotada está chegando da escola. E é aí que essa garotada tem seus sonhos destruídos e absorvem o medo de andar na rua. Sabemos que a violência é uma realidade, e eu concordo que bandido tem que ser punido severamente. Eu mesmo já fui vítima de assalto e sou contra passar a mão na cabeça de bandido. Mas o que eu condeno é o pseudo-jornalismo vulgar, grosseiro, banal.

3) Agora, uma qualidade da Classificação Indicativa: nos anos 90, as TVs costumavam exibir aqueles ridículos filmes de terror trash, com atores desconhecidos e que mais faziam rir do que sentir medo. Com a classificação, essas porcarias foram eliminadas do horario vespertino. Nem de madrugada passam mais, ainda bem.

4) Mas o motivo dessas produções patéticas não irem mais ao ar, é que os canais que mais as transmitiam (a Bandeirantes e a CNT) passaram a vender/alugar horarios para programas independentes. E aí está um outro problema: programas que compram/alugam horarios não são classificados. Aberrações como Polishop, Super Papo, Hyper QI, Igreja da Graça, Igreja Universal do Reino de Deus, Leilão de jóias ou de gado, tele-sexos não são proibidos de passar em horario nenhum. Se aparecer uma gostosa pelada pedindo pra você ligar e transar ao vivo, se um pastor estiver exorcisando um fiel lhe dando socos na cara, não serão impedidos. O horário é deles, são independentes e não respondem na Justiça se cometerem algum abuso.

Esses são apenas alguns exemplos de como o MJ falha. Infelizmente, eu tenho que dizer isso. Eu gostaria muito de ser a favor da classificação, e até mesmo da restrição horária, mas de que adianta se elas não funcionam corretamente?

Se for para a Classificação Indicativa existir, que exista. Mas que ela seja justa. A liberdade é uma coisa muito boa, já a libertinagem é uma maneira de destruir a infância e valores como respeito, amor, família. E aqui, não estou fazendo discurso religioso, que fique bem claro. A religião é o outro lado desse mal. Os dois conseguem viver juntos perfeitamente. Moralismo e imoralidade se completam.

A classificação indicativa foi uma idéia muito boa do Governo. Nós libertários não somos contra o Estado, quando ele tem boas idéias. Mas ela funcionaria muito melhor se fosse bem aplicada.