sábado, 9 de abril de 2016

Eu sou o maior Forever Alone do mundo

Eu estava fazendo curso de teatro.

Na apresentação, o nosso professor pediu a cada aluno que dissesse o que pensa a respeito do teatro e por que estava interessado em aprender o mesmo.

Acredito que fui o mais sincero da turma: disse que queria ser famoso, aparecer na televisão, ganhar dinheiro e pegar mulher. Mas também disse que queria contribuir para a cultura nacional, o que é verdade.

Eu fiz parte dessa equipe por um pouco mais de um mês. Estava fazendo aula de voz, aprendi sobre como tirar o DRT e me divertia muito com os textos que tinha que ler.

Mas logo notei que os outros alunos me ignoravam. Ninguém ali queria fazer cena comigo. Alguns tiravam sarro na minha frente, na cara dura. Nunca chegaram a dizer que não tenho talento, mas com certeza devem pensar isso. O que é um direito, por que pra mim eles também são atores medíocres.

Nas últimas três aulas, eu já havia me tocado. Ia lá, mas ficava quieto no meu canto. Nem falava oi pra ninguém, por que antes, quando eu falava, não respondiam.

Um outro lance que eu reparei, é que eles sempre se beijavam e se abraçavam, ao chegar e ao ir embora, mas nunca faziam isso comigo. Não venham com a desculpa de separatismo de gênero, por que não havia distinção. Os meninos abraçavam as meninas e vice-versa. O problema era só eu mesmo.

Na última aula, eu participei até o final. Ou quase. Na ÚLTIMA cena, onde o professor pediu a nós que fizéssemos dois grupos, onde cada um deveria criar sua própria cena, eu me revoltei. Pra começar, eu nem fui escolhido pra nenhum dos dois grupos. Aí, o professor teve que montar os grupos ele mesmo.

Na hora de elaborar a cena, eu continuava sendo excluído.

Foi aí que joguei tudo para o alto e resolvi ir embora. O professor tentou me convencer a ficar, disse que sou um garoto inteligente e um dos melhores da turma. Fui embora de vez e ninguém se importou. Bom, o professor disse que iria conversar com eles, mas duvido que resolva.

Agora é tarde. Eu não estou mais fazendo curso de teatro

Tudo isso me faz lembrar dos meus tempos de colégio, e até mesmo de sites de relacionamento que entrei na Internet.

Em TODOS eles, eu era sempre mal-visto.

Sei lá, acho que tem gente que nasce pra ser odiado mesmo. Ou simplesmente rejeitado.

Esse foi um dos motivos pelos quais resolvi criar esse blog. Que já é uma continuação de outros blogs que tive no passado. Pouca coisa mudou nesse meio tempo. As vezes me pergunto se vale a pena mudar. Mas aí, eis o dilema: viver infeliz para deixar os outros felizes? Fingir que gosto de algo para evitar brigas, mas saber que não me agrada?

Agora, com 20 anos de idade, morando com os pais, sem amigos e sem namorada, eu já posso morrer levando uma certeza da vida. Ficou finalmente comprovado, que eu sou o maior Forever Alone do mundo.

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